Uma cena que está se tornando cada vez mais repetida em nosso cotidiano são as crianças isoladas com seus equipamentos eletrônicos. Em um universo onde a tecnologia está altamente ligada em nossas vidas, onde as crianças cada vez mais cedo estão tendo acesso a este tipo de instrumento, fica a pergunta:

Cadê comunicação?

Cadê a fala?

Cadê a interação? Tantos estímulos e apenas um comando: o touchscreen. Os dedos em ação. Os olhos em ação, apenas para saber qual será o próximo jogo, o próximo vídeo, o próximo app.

Sabemos que depois de um dia de trabalho chegar em casa, relaxar, fazer uma refeição ou até mesmo tomar um banho, muitas vezes não acontecem de maneira tranquila. E então vem a comodidade em oferecer estes instrumentos para obtenção desta calmaria. Sim, a calmaria se instala e as crianças ficam isoladas no seu mundinho.

Neste momento porque não oferecer um livro, um lápis de cor, um brinquedo? Ah sim porque queremos a calmaria, mas é neste exato momento que perdemos uma troca inigualável de emoções, toques, olhares e também de comunicação.

Esta comunicação fica restrita e banal, pois estas crianças não necessitam de uma troca verbal e ficam anestesiadas em frente à tela de um computador por horas, sem perceber o que está em torno dela. Estamos falando de crianças onde à fala está se formando em todos os seus aspectos. Estatísticas apontam que há uma redução significativa na quantidade e na qualidade da linguagem recebida pela criança, quando comparados com brinquedos rotineiros. Nós pais, devemos proporcionar brincadeiras engajadas na ludicidade e no prazer que é estar efetuando trocas, sejam elas afetivas ou verbais.

Simplesmente falar com nossos filhos, ainda é a melhor maneira de incentivar a fala, a linguagem e a aprendizagem!

Que possamos pensar nisto!

Contribuição da Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote,

Daniela Pinto