No dia 18 de julho de 2014, o jornal Washington Post publicou uma matéria sobre uma pesquisa do ensino de generosidade para crianças. Nessa pesquisa, realizada pelo psicólogo Richard Weissbourd de Harvard, 80% das crianças entrevistadas afirmavam que os pais estavam mais preocupados com o bom desempenho e a felicidades dos filhos (os entrevistados) do que se estavam sendo generosos.

Segundo o pesquisador, as crianças não nascem boas ou más, cabe a nós educa-las pra que sejam respeitosas e se preocupem com sua comunidade em todos os estágios da vida.

Por que não estamos educando nossos filhos para serem generosos?

Entregamos-nos a competitividade: Primeiro ponto pelo qual não somos generosos. É preciso ser o primeiro, é preciso ser “o melhor”, aquela empresa só vai te querer assim, aquele negócio precisa de alguém competitivo e por aí vai.

Não temos tempo pra pensar no outro: Estamos, em nosso contexto social, lutando pela nossa sobrevivência, pelas nossas condições mínimas de vida e de dignidade.

Estamos mais isolados. Com selfies infinitas, com nossos gostos e desgostos, com nossas particularidades (tão fomentadas pelo marketing pra que compremos tudo que acham que nossa particularidade precisa) e esquecemos que temos vizinhas, que moramos em um bairro, em uma cidade… Quantos espaços públicos você usufrui? Há espaços públicos suficientes?

Qual o reflexo dessa nossa postura e como mudar?

Uma crise moral que faz com que sejamos o povo e tenhamos os políticos entre os mais corruptos do mundo, desigualdade social assombrosa (tipo Leblon e Morro) e os impostos entre os mais altos e com menor retorno para a população (leia-se eu, você e nossas famílias e amigos).

A boa notícia é que sempre tem como mudar. Há cinco estratégias, segundo a entrevista do Washington Post, que podem ser usadas:

1 – Faça seu filho se preocupar com a necessidade do outro.

Crianças precisam aprender o equilíbrio entre as necessidades delas e dos outros, seja pra tocar a bola em jogo para um amigo ou para se manifestar contra o bullying que um amigo está sofrendo.

  • Se certifique de que seu filho trata todos os colegas, mais novos ou mais velhos, com respeito.
  • Pergunte na escola como ele se porta em grupo e seja exemplo de conduta em casa.

2 – Crie oportunidades para que seu filho seja generoso.

Crianças precisam praticar a gratidão e a contribuição com outros. Aprender a se importar é quase como aprender a tocar um instrumento.

  • Não recompense seu filho por cada tarefa cumprida na casa. Pode parecer estanho, mas deixe que a participação dele se torne natural e o agradeça por colaborar com tudo ao final de todas as tarefas.
  • Converse com seu filho sobre exemplos de pessoas que se importam em acontecimentos na TV, na comunidade, nos jornais e por aí.
  • Faça a gratidão ser visível à ele no seu dia a dia.

3 – Expanda o circulo de preocupação do seu filho.

Vá para além dos amigos e família. Faça os perceberem como decisões deles podem afetar um grupo maior do que eles imaginam.

  • Deixe-os perceber com quantas pessoas interagem em um dia e quão grato podem ser por elas. Seja respeitoso com todas elas e os ensine a serem também.
  • Converse sobre algumas notícias de jornal para que eles entendam como decisões de alguns afetam muitos.

4 – Seja um modelo moral e um mentor.

Por vezes queremos que nossos filhos sejam coisas que não somos, e isso raramente funciona. Por isso, verifique seu comportamento com todos que te cercam.

  • Praticar a honestidade com as crianças.
  • Conversar sobre dilemas simples. Exemplo: Devo convidar para meu aniversário dois amigos meus que não se gostam?

5 – Oriente seus filhos a administrarem sentimentos destrutivos.

Sentimentos destrutivos como raiva, inveja e vergonha podem atrapalhar a tentativa de ser respeitoso ou generoso. Precisamos ensinar as crianças que está tudo ok se sentirem isso, mas que há algumas formas de lidar com isso que não são saudáveis.

  • Ensine seu filho a inspirar pelo nariz e expirar pela boca contando até cinco, primeiro em momentos em que estiver calmo e depois passando para momentos em que estiver irritado. Após a respiração, ajude-o a pensar em formas de lidar com aquilo sem prejudicar nem a ele e nem a outros. Com o tempo ele fará isso sozinho.

Retirado do site www.paisqueeducam.com.br

Contribuição da psicopedagoga do Espaço Dom Quixote,

Janete Cristiane Petry