A família tem um papel muito importante na construção da personalidade e interação social da criança, cada membro afeta diretamente as ações do outro numa relação de interdependência, influenciando individualmente e em grupo. Desde a gravidez, os pais colocam muitos sonhos naquele filho, eles anseiam pela criança perfeita e até mesmo a possibilidade de concretizar seus sonhos e ideais. Ao deparar-se com alguma limitação significa que suas expectativas não vão ser realizadas e a realidade é muito mais dura de enfrentar.

Os sintomas do transtorno do espectro autista, TEA, já são diagnosticados por voltas dos 18 meses do bebê e o impacto é sentido por toda a família, pois há uma ruptura na rotina destes membros, podendo haver uma mudança financeira, qualidade de vida física, psíquica e social de toda a família, não apenas de quem recebe o diagnóstico. Essas mudanças são crônicas, se estendem por todo o ciclo vital. A forma como lidamos com elas é que vai ser significativa na vida dos sujeitos. Essas exigências especiais podem gerar tensões emocionais e elevar o nível de estresse, sendo sentidos fisicamente e psicologicamente, seja através de ansiedade, pânico, insônia, preocupação excessiva, tédio, ira, hipersensibilidade emotiva e outros. O impacto do diagnóstico não pode se estender muito, a intervenção através do tratamento terapêutico deve ser iniciada logo para ser um apoio e instrumento técnico à família.

As dificuldades e o impacto em relação ao Autismo sobre a vida familiar vai depender muito em relação a gravidade dos sintomas da criança e as características psicológicas dos pais, que englobam rede de apoio, estilo de enfrentamento, disponibilidade de tratamentos e recursos financeiros, comunitários e sociais.

A relação parental fica muito frágil, geralmente a mãe assume o cuidado direto do filho com Autismo, elevando muito o seu nível de estresse e aumentando o risco de depressão do cuidador. São poucos os estudos relacionados ao estresse sentido pelo pai, ele é sentido de forma diferente da mãe, mas ainda de grande impacto no meio familiar, está mais associado ao financeiro e ao futuro. O estresse conjugal influencia muito mais as relações de irmãos com o desenvolvimento típico do que o Autismo. De alguma maneira o diagnóstico não interfere tanto na relação de irmãos, mas sim a maneira que os pais lidam com isso, reforçando que é muito importante a aceitação, adaptação e o otimismo, influenciando a ter resultados mais satisfatórios na adversidade.

Ter uma rede de suporte é fundamental para lidar com a vida diária, por isso uma rede de apoio é importante, nela inclui o cônjuge, demais familiares e amigos. Dividir as responsabilidades e poder ter um tempo livre para os cuidadores auxilia nos cuidados diretos com o Autismo, não sobrecarregando o cuidador e diminuindo a possibilidade dele precisar de cuidados por se envolver extremamente. O suporte formal faz-se necessário, pois inclui grupos de apoio, serviços de saúde e demais profissionais, com o objetivo de instruir através de informações e ferramentas, de como interagir com o Autismo, o trabalho com grupo de pais é fundamental, pois a troca entre as famílias é muito benéfica.

O Autismo recebe o nome de espectro, pois envolve muitas situações diferentes umas das outras, em uma escala que vai do mais leve, moderado e grave, por isso perceber quais são as características individuais do seu filho, o que ele gosta, seus potenciais são fundamentais para lidar com a vida diária. Em alguns casos a criança consegue ir à escola, trabalhar, mas em outros o fato de realizar tarefas simples, como comer sem ajuda já é muito satisfatório e organizador para a família. O impacto na família é inevitável, mas tirar o melhor da situação é uma construção, por isso contar com profissionais, amigos e demais familiares é essencial nesta caminhada.

Contribuição da psicóloga do Espaço Dom Quixote,

Fernanda Rizzardo