A criança nos primeiros anos de vida ainda não desenvolveu toda a sua capacidade de comunicação, como a linguagem verbal, por isso em muitos casos quem fala é o seu corpo. Devemos prestar atenção em que contexto esta criança está inserida, pois ela pode “denunciar” o que acontece no seu meio familiar, na escola, com os seus cuidadores em geral. Para um desenvolvimento integral pleno é fundamental a criança ter uma boa relação com seus pais, mas em alguns casos a criança só desperta a atenção por parte deles quando está doente, então provavelmente a frequência de adoecimento será maior.

O profissional de referência da família é o pediatra, que tendo uma escuta e olhar para perceber que muitas manifestações podem ter uma causa psíquica e que se manifesta através do corpo, pode escutar um pouco da dinâmica familiar e orientar os pais. Essa orientação é muito importante para, em alguns casos, encaminhar esta criança para que junto ao profissional da psicologia, ambos possam integrar as suas áreas e auxiliar a família e a criança que nestes momentos estão mais frágeis.

Na prática clínica, podemos observar algumas doenças mais recorrentes, como por exemplo, as relacionadas ao pulmão, como asma; doenças de pele; doenças relacionadas ao estômago, entre outras. Na maioria das vezes os casos estão relacionados a problemas emocionais, ao meio que ela se encontra-se, fragilidade emocional de  pais que sentem-se inseguros em relação aos cuidados com o seu filho, quando estes estão mais vulneráveis, como por exemplo, pais de prematuros, onde a equipe médica interferiu neste primeiro contato e vínculo; pais ausentes, que não conseguem ter um tempo de qualidade e sentem-se culpados; problemas relacionados à alimentação como restrição alimentar, seja orgânica ou imposta pela criança, estes fatos geram uma mobilização por parte dos pais maior do que uma criança que faz tudo adequadamente. Relacionado com as doenças, podemos associar a superproteção, que também poderá impedir um desenvolvimento sadio, na maioria dos casos pode prejudicar que a criança se veja crescendo, tornando-se insegura e mais infantilizada e que conforme vai crescendo, a família começará a cobrar uma postura de acordo com a idade cronológica, havendo uma dessincronia entre a família e a criança.

Por isso é importante trabalhar com as potencialidades de cada criança e não ficar apenas no que não está bem, isso ajuda a criança a se perceber diferente, não alguém que tem defeito, mas que está em desenvolvimento. Aos pais e cuidadores cabe serem menos autoritários, mais afetivos, respeitar a diferença e lembrar que cada criança tem o seu tempo, então refletir o que no adulto não está bem e o que acaba interferindo na relação e na vida de seu filho. Como foi colocado no início do texto, a criança está inserida em vários contextos e ela está atenta a tudo ao seu redor, por isso quando algo não vai bem, ela pode demonstrar com sintomas através do seu corpo.

Saber procurar um profissional é muito importante para a família, pois é uma rede de apoio e todos trabalham juntos para que os sintomas diminuam e a criança consiga buscar outros meios de se expressar, que não seja através da doença. Lembre-se, o melhor remédio para estes casos ainda é a prevenção e muito amor.

Contribuição da Psicóloga do Espaço Dom Quixote,

Fernanda Rizzardo