Dia das crianças, dia do professor e pandemia, que mistura pode dar?

Dia das crianças, dia do professor e pandemia, que mistura pode dar?

Estamos em um ano atípico, onde tudo é muito novo, mas as emoções que estamos sentindo são velhas conhecidas, como a ansiedade, a depressão, o medo e elas são vividas através das demandas de trabalho dos professores, o home office dos pais junto aos filhos, tudo misturado. O que pode sair daí?

Não sabemos algumas respostas, mas como profissionais da saúde e trabalhando diretamente com as escolas, podemos dizer que o retorno presencial à aula tem que ter como principal objetivo o acolhimento sócio emocional de todas as partes. Ser um momento de escuta e apoio e não cumprir currículo. Muitas situações que antes já existiam e vinham sendo empurradas, hoje estão gritando e precisam de um espaço seguro para voltar a se reorganizar.

Aos professores, profissionais que tiveram que abrir a sua casa para receber as turmas, deixar de lado suas dificuldades pessoais para continuar auxiliando os alunos, neste momento precisam ser ouvidos, afinal, estão na linha de frente com o retorno dos alunos. Eles precisam sentir o apoio da comunidade escolar, poder avaliar os impactos da pandemia, pois muitos já vinham de um desgaste e cansaço anterior a tudo isso. Neste momento é importante criar estratégias conforme a demanda da sua escola, pensar naquela singularidade e poder contar com a ajuda de cada colega. É muito importante pensar que só escuta quem já foi escutado.

Aos alunos, como está a cabecinha destas crianças e adolescentes que tiveram meses de privações? Onde o conteúdo formal se encaixa nesta nova rotina? Muitos não estão mostrando o seu potencial, pois a cabeça está com outra demanda, seja o medo de perder alguém da família, seja sair na rua e não enxergar os riscos.

Como clínica, tivemos o cuidado de preparar um espaço de escuta ao professor. Não conseguimos abranger toda a demanda, mas quem passou e está passando por este processo, que pelo menos consiga perceber a riqueza da escuta e que leve adiante com os seus colegas, alunos e principalmente consigo, pois de algo direcionado a uma pessoa, essa ação ecoa a tantas outras, multiplicando esta forma de cuidado mental.

Toda mudança gera desconforto e insegurança, o mundo inteiro ainda está mudando e precisamos de paciência, parceria e isso não é construído simplesmente colocando todos juntos numa escola. Cada passo desta nova rotina é importante ser sentido, discutido para seguir subindo os degraus um a um. Todas as pessoas perderam algo ou alguém com esta pandemia, há um sofrimento que precisa ser trabalhado e superado, sozinhos vimos que não há resultado, tudo o que fazemos impacta diretamente no outro.

Fernanda Rizzardo, psicóloga

15 de Outubro de 2020

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