No mês de abril encontramos no calendário um dia de reflexão sobre o Autismo, por isso a escolha deste assunto para escrever e refletirmos.

Em 02 de abril, no calendário, encontra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Considero um marco positivo, mas não podemos nos prender a somente esta data ou a este mês de abril. Falar, pensar e contribuir com o Autismo se faz necessário em todos os momentos, dias e lugares.

Percebe se um aumento considerável de diagnóstico de Autismo nos bebês e crianças. E a pergunta que fica: como podemos auxiliar estes bebês e crianças?

Considerando que o Autismo não tem uma única causa, mas sim a combinação de vários fatores, dentre eles: orgânicos, psíquicos e sociais; o seu diagnóstico não pode ser definido com somente a alteração de um fator. A avaliação e escuta clínica nas situações de Autismo é de extrema importância.

Em uma escuta clínica psicanalista, considera-se importante trazer o sujeito para o campo da linguagem, ou seja, trabalhar na constituição do sujeito. Apostando naquele bebê ou criança e resgatar o sujeito desejante.  Visto que uma criança não está totalmente estruturada, nem psíquica nem organicamente. Uma das principais características do ser humano é a de não nascer pronto, ou melhor, totalmente estruturado, desde o ponto de vista orgânico até o psíquico. O cérebro humano depende de experiências para se formar e o código genético de cada sujeito também se manifesta em função dessas experiências vivenciadas. Assim sendo, o diagnóstico não pode ser fechado e não deve ser considerado para sempre. A intervenção terapêutica torna-se importante e este estado pode ser somente transitório.

E se esta escuta e intervenção forem desenvolvidas na primeira infância, que é um tempo de constituição do sujeito, e também um período de maior elasticidade cerebral, haverá ascendente possibilidade de esta criança desenvolver-se e sair de uma condição autista estática, pois uma intervenção precoce pode alterar os caminhos do desenvolvimento do bebê ou criança autista. E, por isto se considera importante que o trabalho se direcione sobre a criança, e não somente sobre o seu comportamento ou seu diagnóstico.

E, como psicopedagoga, conhecer as possibilidades desta criança quanto ao seu desenvolvimento e aprendizagens. Entender em que lugar encontra-se esta criança no espaço familiar e escolar. Reconhecer o sujeito, suas particularidades e possibilidades, já que todo ser humano tem condições de aprender e ensinar.

A inclusão acontece quando há apostas neste sujeito desejante, por isso precisa-se investir!

Alexsandra Leal

Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote