Como sabemos quando termina a adolescência? Com 18, 24, 30, 44 anos? É a idade que determina ou a posição psíquica? Para Mario Corso, a adolescência como operação psíquica termina quando as pessoas pensam com plano B. Está interessado sobre o mundo adolescente, então leia o texto Plano B de Mario Corso!

Plano B*
Quando termina a adolescência? Cientistas do Reino Unido querem mudar a classificação para a idade de término da adolescência, agora ela iria até os 24 anos, ao contrário dos 19.

Algumas pessoas opinam que eles apenas estão nomeando algo que já está funcionando assim. Outros temem o quanto essa decisão poderá infantilizar os adolescentes, naturalizando essa demora para entrar na vida adulta.

Ano passado, lancei um livro sobre a adolescência com a Diana. Entre outros assuntos, nos debruçamos sobre a questão e pensamos que fixar margens não é a melhor abordagem. Nos interessa se o sujeito fez a travessia adolescente, se ele resolveu os dilemas que a fase coloca. Sendo uma operação psíquica, importa mais como passou do que quando.

A adolescência é o momento de sair das referências paternas que nos fundaram, fazer algo com aquilo que fizeram conosco. É assumir uma identidade sexual e concomitantemente acostumar-se com um corpo que não para de transformar-se. É procurar um lugar no mundo, e na sua geração, em que seja aceito e ainda descobrir como fazer para bancar a própria vida. Tudo ao mesmo tempo, uma missão interferindo na outra. Não bastasse, geralmente os adultos não os entendem e pensam que eles levam a vida na flauta. A paralisia depressiva, ou quando negam certos valores do mundo, é vista como preguiça e ou irresponsabilidade.

Ok, mas como saber quando terminou? Proponho um macete: ela acabou quando as pessoas pensam com plano B, ou seja, se seus projetos não derem certo, já foi pensada outra saída. E vale para qualquer coisa. A questão não é só entender a antecipação, ser adulto é saber que a cavalaria não virá em seu auxílio. Se surgir uma bronca, um contratempo, é ele que vai enfrentar.

O adolescente guarda dentro de si restos de infância: primeiro, os pais chegarão magicamente para restabelecer a ordem se algo der errado. Um jovem adulto pode contar com os pais, mas só se ele não puder resolver, em casos extremos. Segundo: no adulto, a onipotência infantil já morreu de todo. Ele aprendeu que não é especial, que dissabores surgem do nada e em qualquer circunstância. Ninguém está livre do azar, portanto é preciso estar preparado. Terceiro: o adolescente vive um presente contínuo, nega a criança que foi e não sabe o adulto que será. Está num limbo temporal. Quem não acredita no amanhã não faz poupança, pois não faz sentido.

Por essas razões, o adolescente leva a vida sem estepe. Guarda-chuva, casaco e um pouco mais de dinheiro no bolso não são necessários, afinal, vai dar tudo certo. Ele só pensa no mau tempo quando a chuva já chegou.

Em resumo, quando você fizer uma pergunta sobre um passo de um projeto que alguém lhe conta e essa pessoa responder “Quando chegar lá, a gente vê”, você está falando com um adolescente, tenha a idade que tiver.”

*Texto publicado no jornal Zero Hora

Contribuição da Psicóloga do Espaço Dom Quixote,
Thaís Chies