A adolescência por si só já é uma fase do desenvolvimento humano complicada de ser experienciada e de conviver, enfim, todos do grupo familiar sentem os efeitos deste período. O jovem está procurando afirmar a sua identidade, busca se colocar de forma mais autônoma e procurando por uma profissão para ir se preparando para ter um bom futuro. A família neste processo, ás vezes pode ser uma barreira, podendo ser muito favorável, como muito contrária as decisões.

Segundo o autor Erikson (1959), ele afirma que na adolescência deve-se estabelecer uma ligação entre o passado, a criança que eu era e o futuro, o adulto que serei. A crise nesta etapa é necessária, pois é um momento de grande importância para o seu desenvolvimento, cria capacidade para seguir para a próxima etapa. Quando criança, os pais filtram muito sobre como o mundo é e nesta etapa é preciso ir mostrando como as coisas realmente funcionam, do esforço, da frustração, mas esses recursos são ensinados e aprendidos desde criança, conforme a capacidade cognitiva de cada pessoa.

O jovem desde que nasce já carrega muitas escolhas idealizadas pelos pais, como torcer pelo mesmo time de futebol e se a família carrega algumas tradições, romper com este ciclo é muito mais doloroso e difícil para uma pessoa que recém está se tornando dono de suas próprias decisões. Na prática clínica, escutamos muitos pais depositarem a realização de seus sonhos em seus filhos, é comum ouvir que “na minha época não havia determinado recurso, mas agora eu posso fornecer para o meu filho”. Como pais, é necessário aprender a administrar esta vontade e dosá-la para o desejo do filho.

Neste processo do desenvolvimento é importante salientar que existe diferença entre identidade pessoal e identidade ocupacional. A geração anterior cresceu com exemplos de pessoas que começaram em uma profissão e a seguiram para o resto da vida. A geração atual não tem mais essa preocupação, pois ela pode ser reinventada, conforme a demanda do mercado e o desejo pessoal.

Quando se trata da escolha profissional, o adolescente deve optar não só por um curso ou por uma atividade de trabalho que está na moda, que dá dinheiro, mas também por um estilo de vida, uma rotina, o ambiente do qual fará parte. Enfim, decide não só o que quer fazer, mas também o que quer ser. A influência familiar é muito importante na vida de qualquer pessoa, mas dar condições para que o seu filho consiga traçar o seu caminho e se sentir realizado, comprova aos pais que esta escolha foi sim influenciada pela família.

Contribuição da Psicóloga do Espaço Dom Quixote,

Fernanda Rizzardo