O Processamento Auditivo é, por definição, o processamento perceptual da informação auditiva no Sistema Nervoso Central. Algumas pessoas podem apresentar dificuldade para localizar de onde os sons vem, não conseguem entender conversas em lugares ruidosos e custam a memorizar sequências de sons. Para outras, a dificuldade pode ser o ritmo ou discriminação de melodias. Além, disso, podem ter dificuldades de leitura e escrita, trocar letras quando falam ou escrevem ou não conseguir aprender um segundo idioma. Todos esses casos podem ter uma causa comum: o distúrbio do processamento auditivo central (DPAC) – transtorno que acomete pessoas de diferentes faixas etárias, embora seja mais evidente durante a fase escolar, quando a demanda linguística aumenta muito e o ambiente de aprendizado passa a ser menos controlado e com estímulos mais competitivos.

Uma criança com DPAC não consegue prestar atenção no que o professor fala, apresenta um grande risco de aprender errado, ou pior, não aprender. Por isso este diagnóstico é muito confundido com o TDA (Transtorno de Déficit de Atenção). O processo de alfabetização é totalmente dependente de uma boa escuta, afinal a escrita nada mais é do que a representação gráfica dos sons da fala e, para que este processo ocorra da melhor forma possível é preciso boa consciência fonológica, memória auditiva e discriminação acústica destes sons. Outro fator que atrapalha em sala de aula é o nível de ruído competitivo e, muitas vezes, a escola não se dá conta disso. Todos os alunos precisam demandar mais força e atenção para se manterem concentrados numa sala ruidosa. Imaginem uma criança com alteração do PA que fica mais vulnerável e em desvantagem nessa situação. Ao final de uma atividade ela estará cansada e cometerá mais erros.

Com o atraso na aquisição da alfabetização muitas crianças são diagnosticadas com Dislexia que é um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, que se caracteriza por um baixo desempenho nesta capacidade.

Toda dificuldade de aprendizagem deve ser levada a sério e investigada. Taxar uma criança de preguiçosa, desatenta ou desorganizada não ajuda em nada, mas uma boa investigação para compreender suas dificuldades e possibilitar um diagnóstico correto, com uma intervenção assertiva ajuda, e muito.  Muitas escolas solicitam um CID para que a criança possa ter algumas flexibilizações e participar da Sala de Recursos. Não há um CID específico para o Distúrbio de Processamento Auditivo Central, mas ele pode ser enquadrado como um Transtorno não específico de aprendizagem.

Não há uma legislação específica para adequar e flexibilizar conteúdos e atividades mas as escolas devem se sustentar na LDB que garante no Art.12, inciso V, que as escolas devem prover meios para a recuperação dos alunos com menor rendimento … e no Art. 23 trata da organização da escola da melhor forma que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.

A LDB garante a flexibilidade da escola para se adequar às necessidades dos alunos e de suas especificidades.  São medidas simples que favorecem a aprendizagem de uma criança com DPAC como:

  • antes de começar a falar, chame, olhe ou toque a criança e garanta que ela está olhando
  • fale olhando para a criança de forma pausada e mais articulada
  • repita a ordem várias vezes
  • garanta que a criança entendeu aquilo que foi solicitado pedindo a ela para repetir
  • use frases mais curtas
  • adicione palavras diferentes à fala da criança para ampliar o vocabulário
  • reduzir os barulhos na sala de aula na hora das atividades
  • sentar a criança longe de distrações auditivas e visuais
  • fazer provas mais curtas para não deixar a criança cansada com o excesso de esforço e atenção
  • estimular a criança apontando seus acertos

Os profissionais indicados para melhorar o processo de compreensão e a aprendizagem são fonoaudiólogo e psicopedagogo. O fonoaudiólogo fará um trabalho específico para melhorar as habilidades auditivas comprometidas e o psicopedagogo irá auxiliar no processo de alfabetização e de aprendizagem posterior.

Informações retiradas dos sites

www.fonoterapia.com.br

www.deficienciaauditiva.com.br

www.planalto.gov.br

 

Colaboração da Psicopedagoga do Espaço,

Janete C. Petry